“Poderíamos casar. Teríamos um apartamento, tomaríamos café às cinco da tarde, discordaríamos quanto à cor das cortinas, não arrumaríamos a cama todos os dias, a geladeira seria repleta de congelados e refrigerantes, enquanto a dispensa estaria lotada de porcarias. Adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos de pijama e pantufas na sala, sairíamos para jantar em um dia de chuva e voltaríamos encharcados. Você pegaria no sono com a mão no no meu cabelo e eu, deitada em seu peito, ficaria escutando sua respiração, as batidas do seu coração. Então você acordaria com o som do meu riso, questionando o que o tinha causado. Eu não responderia, saberíamos.”